Nossa História

Reforma Protestante

Reforma Protestante foi a grande transformação religiosa da época moderna, rompeu a unidade do cristianismo no Ocidente e alterou de forma radical a estrutura eclesiástica.

Em cada região assumiu características diferentes: no Sacro Império teve a liderança de Martinho Lutero; na França e na Holanda os princípios de Lutero foram ampliados por Calvino; na Inglaterra, conflitos entre o rei e a Igreja deram origem ao anglicanismo.

Origem da Reforma Protestante

O processo de centralização monárquica que dominava a Europa desde o final da Idade Média, tornou tensa as relações entre reis e igreja, até então a centralizadora do domínio espiritual sobre a população e do poder político-administrativo sobre os reinos.

A Igreja – possuidora de grandes extensões de terra – recebia tributos feudais controlados em Roma, pelo papa. Com o fortalecimento do Estado Nacional Absolutista, essa prática passou a ser questionada pelos monarcas.

Os camponeses também estavam descontentes com a Igreja. Na Alemanha os mosteiros e bispados possuíam imensas propriedades, os bispos e os abades viviam às custas dos trabalhadores da cidade e dos campos.

A Igreja condenava as práticas capitalistas nascentes, entre elas a “usura”- a cobrança de juros por empréstimos, consideradas pecado, e defendia a comercialização sem direito a lucro o “justo preço”, reduzindo o poder de investimento da burguesia mercantil e manufatureira.

Tomismo e Teologia Agostiniana

Dentro da própria Igreja dois sistemas teológicos, o tomismo, e o da teologia agostiniana, se defrontavam. Mas, a desmoralização do clero, que apesar de condenar a usura e desconfiar do lucro, veio com a prática do comércio de bens eclesiásticos.

Faziam uso da autoridade para obter privilégios, desrespeitavam o celibato clerical e a venda de cargos na Igreja era uma prática comum desde o fim da Idade Média. O maior escândalo foi a venda de indulgências, isto é, o perdão dos pecados em troca de pagamentos a religiosos.

A Reforma de Lutero

A Reforma Protestante foi iniciada por Martinho Lutero (1483-1546), monge agostiniano alemão, e professor da Universidade de Wittenberg. Crítico, negava algumas práticas comuns apregoadas pela Igreja.

Em 1517, revoltado com a venda de indulgências, realizada pelo dominicano João Tetzel, escreveu em documento com as 95 teses que radicalizava suas críticas à Igreja e ao próprio papa.

Em 1520 o para Leão X redigiu uma bula condenando Lutero e exigindo sua retratação. Lutero queimou a bula em público o que agravou a situação.
Em 1521 o imperador Carlos V convocou uma assembleia “Dieta de Worms”, na qual o monge foi considerado herege. Acolhido por parte da nobreza, refugiou-se no castelo de Wartburg, onde dedicou-se à tradução da Bíblia do latim para o alemão, e a desenvolver os princípios da nova religião.

Em 1530, a Confissão de Augsburgo, escrita por Melanchthon, discípulo de Lutero, fundamentou a doutrina Luterana. Seguiram-se guerras religiosas que só foram concluídas em 1555, pela “Paz de Augsburgo”, que determinou o princípio de que cada governante dentro do Sacro Império poderia escolher sua religião e a de seus súditos.

Calvinismo

A revolta de Lutero se espalhou pelo continente europeu, suas ideias foram reformuladas por alguns de seus seguidores, particularmente pelo francês João Calvino (1509-1564) pertencente a burguesia e influenciado pelo Humanismo e pelas teses luteranas, converteu-se em ardente defensor das novas ideias.

Escreveu a “Instituição da religião cristã”, que veio a ser o catecismo dos calvinistas. Perseguido, refugiou-se em Genebra, na Suíça, onde a Reforma havia sido adotada. Dinamizou o movimento reformista através de novos princípios, completando e ampliando a doutrina luterana.

Nada de imagens nas igrejas nem sacerdotes paramentados. A Bíblia era a base da religião, não sendo necessária sequer a existência de um clero regular. Para Calvino a salvação não dependia dos fieis e sim de Deus, que escolhe as pessoas que deverão ser salvas (doutrina da predestinação).

O calvinismo expandiu-se rapidamente por toda a Europa, mais do que o luteranismo. Atingiu os Países Baixos e a Dinamarca, além da Escócia, cujos seguidores foram chamados de presbiterianos, da França foram os huguenotes e da Inglaterra os puritanos.

Contrarreforma

A Contrarreforma foi o movimento que surgiu na Europa em consequência da expansão do protestantismo. Em 1534, foi fundada por Inácio de Loyola, ex-soldado espanhol da religião basca, uma ordem religiosa denominada Companhia de Jesus.

Organizada em rígido modelo militar, a Companhia formava seus membros, os jesuítas, como “soldados de Cristo”, que gozavam da confiança do papa e buscavam combater o protestantismo por meio do ensino e expansão da fé católica.

Decidiu-se a reativação do Santo Ofício, criado durante o século XIII, responsável pelo Tribunal da Inquisição, que condenou à tortura e à morte aqueles que se desviavam do dogma da Igreja.

Em 1545 e 1563, realizou-se o Concílio de Trento, com representantes da Igreja católica de toda a Europa. Dele surgiu uma Igreja reformada. Foi criado ainda o Index, lista de livros proibidos pela Igreja, incluindo livros científicos (de Galileu, Giordano Bruno, entre outros).

A Contrarreforma não destruiu o protestantismo mas limitou sua expansão. Seu sucesso encontra-se na América Latina, local de maior concentração de católicos no mundo.

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