Relevância do evangelho na cultura do nosso Tempo

Paulo, apóstolo enviado, não da parte de homens nem por meio de pessoa alguma, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dos mortos,
e todos os irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia:
A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo, que se entregou a si mesmo por nossos pecados a fim de nos resgatar desta presente era perversa, segundo a vontade de nosso Deus e Pai, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém. Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo.
Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado!
Como já dissemos, agora repito: Se alguém lhes anuncia um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado! Acaso busco eu agora a aprovação dos homens ou a de Deus? Ou estou tentando agradar a homens? Se eu ainda estivesse procurando agradar a homens, não seria servo de Cristo.
Gálatas 1:1-10

A igreja caminha na história, e é impossível andar sem o diálogo da cultura do seu tempo, porque a fé cristã e a ação do Espirito Santo se move na história. Um exemplo para isso é no livro de Atos no capitulo 2:

Então Pedro levantou-se com os Onze e, em alta voz, dirigiu-se à multidão: “Homens da Judéia e todos os que vivem em Jerusalém, deixem-me explicar-lhes isto! Ouçam com atenção:
estes homens não estão bêbados, como vocês supõem. Ainda são nove horas da manhã!
Pelo contrário, isto é o que foi predito pelo profeta Joel:
‘Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos.
Sobre os meus servos e as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão.
Mostrarei maravilhas em cima no céu e sinais em baixo, na terra, sangue, fogo e nuvens de fumaça. O sol se tornará em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor. E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo!
Atos 2:14-21

Vemos Pedro pregando em Jerusalém para explicar o evento da descida do Espírito Santo, na Festa do pentecostes. Lembrando que Jerusalém era a “capital religiosa” do mundo nesse tempo, e o apóstolo Pedro começa a pregar seguindo o texto do profeta Joel, pois, Jerusalém nesses dias estava cheia de judeus e pessoas seguidoras do judaísmo para a festa e sabiam muito bem quem era o Profeta Joel e qual profecia o Apóstolo Pedro estava falando.

Porém, no capítulo 17 de Atos, temos a passagem do apóstolo Paulo pregando o evangelho de forma diferente na “capital intelectual” do mundo naquele tempo vejamos:

Enquanto esperava por eles em Atenas, Paulo ficou profundamente indignado ao ver que a cidade estava cheia de ídolos.
Por isso, discutia na sinagoga com judeus e com gregos tementes a Deus, bem como na praça principal, todos os dias, com aqueles que por ali se encontravam.
Alguns filósofos epicureus e estoicos começaram a discutir com ele. Alguns perguntavam: “O que está tentando dizer esse tagarela? ” Outros diziam: “Parece que ele está anunciando deuses estrangeiros”, pois Paulo estava pregando as boas novas a respeito de Jesus e da ressurreição.
Então o levaram a uma reunião do Areópago, onde lhe perguntaram: “Podemos saber que novo ensino é esse que você está anunciando?
Você está nos apresentando algumas idéias estranhas, e queremos saber o que elas significam”.
Todos os atenienses e estrangeiros que ali viviam não cuidavam de outra coisa senão falar ou ouvir as últimas novidades.

Então Paulo levantou-se na reunião do Areópago e disse: “Atenienses! Vejo que em todos os aspectos vocês são muito religiosos, pois, andando pela cidade, observei cuidadosamente seus objetos de culto e encontrei até um altar com esta inscrição: AO DEUS DESCONHECIDO. Ora, o que vocês adoram, apesar de não conhecerem, eu lhes anuncio.
“O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor do céu e da terra, e não habita em santuários feitos por mãos humanas. Ele não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos a vida, o fôlego e as demais coisas. De um só fez ele todos os povos, para que povoassem toda a terra, tendo determinado os tempos anteriormente estabelecidos e os lugares exatos em que deveriam habitar. Deus fez isso para que os homens o buscassem e talvez, tateando, pudessem encontrá-lo, embora não esteja longe de cada um de nós.
‘Pois nele vivemos, nos movemos e existimos’, como disseram alguns dos poetas de vocês: ‘Também somos descendência dele’.
Atos 17:16-28

A maneira que Paulo prega o evangelho no Areópago em Atenas é de uma forma diferente, pois ele usa a cultura do povo que está ao seu redor para anunciar as boas novas do Reino. Um livro que trata muito a respeito de missões chamado Fator Melquisedeque – Ed. Vida Nova- 2008, o Autor Don Richardson trata dessa passagem de Atos 17 e fala da inscrição: Ao Deus Desconhecido. Onde conta uma história que houve uma praga muito grande na cidade de Atenas e muitas pessoas ficaram doente e ofereceram sacrifícios a vários deuses e não tiveram sucesso, e um sábio chamado Epimênides exclamou que talvez existisse um Deus maior que todos os outros deuses que pudesse curar as pessoas dessa praga, então fizeram o altar ao Deus Desconhecido e muitos foram curados.

Provavelmente sabendo dessa história, e dos principais elementos culturais e pensamento filósofos, Paulo começa a falar do evangelho para aos atenienses. E sua pregação não teria efeito se ele falasse do texto de Joel, ou falasse expressões em hebraico, ele não teria sucesso, mais Paulo observando a cultura ao seu redor contextualiza a pregação do evangelho para que atinja o coração do povo idolatra da cidade Atenas.

Vejamos o Livro de Daniel:

Então o rei ordenou que Aspenaz, o chefe dos oficiais da sua corte, trouxesse alguns dos israelitas da família real e da nobreza;
jovens sem defeito físico, de boa aparência, cultos, inteligentes, que dominassem os vários campos do conhecimento e fossem capacitados para servir no palácio do rei. Ele devia ensinar-lhes a língua e a literatura dos babilônios.
Daniel 1:3,4

Vemos que Daniel aprendeu, a língua e a literatura dos babilônios. E em todo livro de Daniel vemos Deus falando com os reis da babilonia, através de Sonhos que eram figuras usadas nesses sonhos eram da cultura babilônica. E para que Daniel fosse eficiente e relevante onde estava precisava alem da ajuda do Espirito Santo o conhecimento da cultura do seu tempo.
Na história da igreja vemos do segundo século Justino Martir (100-165 D.C), um filósofo cristão, que era hábil no conhecimento e no saber, ele começou a usar a filosofia para comunicar o evangelho, e que a filosofia de Cristo era a única para se viver no tempo onde a filosofia Grega dominava o mundo.

O próprio Jesus Cristo fez isso comunicando o evangelho, Jesus pregava o evangelho com figuras tipicas do seu tempo, em Mateus 13 fala .. “O Semeador saiu para semear…” isso era comum para as pessoas do seu tempo onde viviam em um contexto na sua maior parte rural e entendiam o que nosso Senhor Jesus queria expor para suas vidas.

O problema não é o diálogo com a cultura e sim quando pensamos o evangelho pela cultura do nosso tempo, usando parâmetros da nossa cultura para pensar nossa fé.

Um exemplo foi o ocorrido entre o final do século XIX e começo do século XX, onde houve um grande crescimento do racionalismo e crescimento da modernidade, e muitos teólogos e pastores pensaram a fé pelos parâmetros do racionalismo formando assim a Teologia Liberal, que é uma leitura da fé cristã pelos parâmetros da racionalidade, tirando todo os eventos sobrenaturais bíblicos. Muitas delas ouvimos até hoje como questões de que o povo de Israel, ao sair do Egito, passou mar vermelho com a maré baixa para que eles passassem, ou que Cristo nunca ressuscitou de verdade e sim que isso foi uma mitologia criada pelos seus seguidores na época em que a cultura greco-romana dominava.

Outro exemplo que temos é o pensamento do consumismo criando o que vemos hoje como a Teologia da Prosperidade, onde o pensamento da fé está ligada a cultura de status vindo América do Norte, ou seja, o sonho de consumo americano que é casa, emprego, status social, dinheiro, carro etc.. e com isso vemos muitas vezes o mercado da fé e o negociar com Deus em muitas igrejas, mas esquecemos que a bíblia fala que seremos abençoados pelo Senhor com trabalho das nossas mãos.

Quando pensamos a fé pelos parâmetros da cultura vamos chegar a dois problemas:

1º A diminuição da pessoa de Cristo – Ele deixa de ser suficiente, Ele vira o meio e não mais o fim. Paulo diz em Romanos 11 .. “Por que dele, por ele, e para ele são todas as coisas..”. Mas quando pensamos a fé pela cultura, Cristo deixa de ser essencial e vira trivial, Ele deixa de ser o centro da fé.

2º Cria-se um Legalismo – Ou seja, quando nos tornamos o parâmetro para medir a vida dos outros. Jesus deixa de ser o parâmetro e julgamos a vida das pessoas pelo que fazemos. Paulo diz em 1 corintios 11:1” Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo”.. O parâmetro para o Apóstolo era Cristo.

E por isso que Paulo escreve a carta aos Galátas, a todos os povos da região da Galácia, pois um grupo de pessoas chamadas judaizantes estavam pregando que Jesus é importante, mas Ele não foi considerado importante sozinho; para os da Galácia, foi preciso juntar Cristo com a cultura judaica, junto com elementos e ritos da cultura judaica. E as pessoas da Galácia começaram a diminuir a suficiência de Cristo em suas vidas.

Será que os valores da cultura do nosso tempo, fazem pensar nossa fé em Cristo?

Hoje vivemos num mundo individualista, um pequeno exemplo que influencia nossas vidas são as propagandas de hoje em dia, onde tudo que se fala é sobre o “EU” com centro de tudo na vida. Com isso muitas vezes vamos para o culto nossas igrejas e pensamos que o culto a Cristo, foi feito para nós, e começamos a ser críticos de reuniões e cultos, onde na verdade todo culto é para o Senhor Jesus. E seguindo com esse tipo de pensamento perdemos o nosso senso de corpo de Cristo e Comunhão.

Temos hoje em nossa cultura um culto ao Edonismo, ou seja o culto ao prazer, no mundo hoje existe todas as formas possíveis de sentir prazer e fugir da realidade do mundo e fugir dos problemas da vida, as pessoas de todos os lugares fazem de tudo para sentir algo bom e prazeroso, não se importando com as consequências. E isso reflete em nosso culto ao Senhor porque muitas vezes vamos ao culto querendo sentir algo, onde falamos que o culto bom é culto que EU sinta algo, se eu não senti por que um culto de hoje foi frio. Hoje em dia as pessoas não querem pensar, nem ler… Mas, Paulo diz, inspirado pelo Espirito Santo, que a transformação em nossas vidas vem pela renovação do nosso entendimento, em Romanos 12:2.

Paulo nos deixa respostas no livro de Gálatas capítulo 1° no texto acima onde já lemos.

O primeiro conselho de Paulo para que a fé seja relevante fora dos parâmetros da cultura é: Conhecer o Evangelho, e o Apóstolo diz na passagem que o evangelho é a Graça e a Paz que vem de Deus Pai, e nosso senhor Jesus Cristo. Porém depois vem a pergunta o que é Graça? Não é apenas a conhecida frase favor imerecido, mas também com toda verdade é a ação de amor Deus na história para salvar Seu povo,ou seja, o Evangelho é a ação de amor de Deus na história para salvar os homens(GRAÇA) e a Paz que vem de Deus Pai, e nosso senhor Jesus.

Agora o que é a paz? É uma pespectiva de Relacionamento com Deus, Reconciliação com Deus, por meio da entrega na história de Jesus Cristo para nos resgatar desse mundo perdido. Com isso o Evangelho é: A ação de amor de Deus na história para salvar os homens, para criar uma perspectiva de relacionamento do Deus Pai. Isso é o Evangelho, precisamos conhecer isso com todo nosso coração para nossa fé ser relevante em nosso tempo.

O Segundo conselho de Paulo ele diz em Gálatas 1.. “que ainda que Eu ou Nós pregarmos outro evangelho que eu seja maldito..”.

Ele entendia que a fé é fundamentada nos profetas e na pregação dos apóstolos, e que sua pregação não era dele, e com isso ele não poderia mudar nada da Palavra de Deus.

Paulo entendia que tinha uma fé que não surgiu da sua razão ou intelecto, mas sim de Cristo. Então precisamos lembrar que o fundamento principal é Cristo, e que toda nossa fé tem uma história a começar de Cristo como base, depois os apóstolos, seguido dos pais apostólicos, para os pais apologetas, depois para pais do deserto, seguindo para os pais dos mosteros, depois para os reformadores, chegando aos movimentos missionários, depois aos avivalistas, e aos movimentos missionários da modernidade até chegar agora em nosso tempo. Ou seja, existe uma tradição Cristã histórica da nossa fé, e por desconhecermos isso cometemos erros em nossa caminhada cristã. Erros esses que deveríamos ter aprendido com aqueles que cometeram no passado, para que olhando isso possamos avançar em nossa vida cristã.

Se quisermos ser relevantes na pregação do evangelho, com cultura atual de nosso tempo, devemos conhecer a cada dia o Evangelho de Cristo e a graciosa história da nossa fé cristã, para vencermos os desafios que vem se levantando nos dias atuais em nosso mundo.

Toda Honra e Glória ao Senhor.

Fonte: http://reformai.com/relevancia-do-evangelho-na-cultura-do-nosso-tempo/

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